Sábado, dia 26 de Novembro de 2011
Na véspera do seu término, o Azores Islands Bodyboarding Festival, que inclui a etapa do Mundial GQS da IBA, e que se realiza na ilha Terceira, pela primeira vez, de 17 de Novembro até amanhã, é considerado “evento de sucesso”.
Apesar da falta de ondas nos últimos dias, o presidente da União de Surfistas e Bodyboarders dos Açores, Pedro Arruda, manifesta o seu contentamento não só pelo decorrer da iniciativa mas também pela prestação dos atletas açorianos.
O facto de a IBA – International Bodyboarding Association - ter reconhecido a importância e o valor da onda de Santa Catarina, concelho da Praia da Vtória, e de os Açores terem sido incluidos na prova mundial são motivos para considerar o sucesso do Azores Islands Bodyboarding Festival 2011.
As palavras do presidente da União de Surfistas e Bodyboarders dos Açores (USBA), entidade organizadora, em parceria com a Associação de Surfistas da Terceira (AST), foram expressas nas vésperas do término do evento. Em declarações ao nosso jornal, Pedro Arruda diz que, porém, a ausência de ‘swell’ em pleno mês de Novembro não estava nas previsões meteorológicas. “Estivemos à procura de outros sítios na ilha onde pudessemos eventualmente levar o campeonato e ter melhores condições. Mas, apesar de tudo, o balanço é positivo”, afirma. No que concerne à prestação dos atletas açorianos – Samuel Barcelos, Laura Barbosa, Nelson Branco, Miguel “Biscoito” Mendonça, Pedro “Pedrim” Correia, Rodrigo Rijo e Sérgio Rego -, os quais competiram ao lado de figuras como Ricardo Faustino, Hugo Pinheiro, Rita Pires e Catarina Sousa, a nível nacional, e Pierre Louis Costes, Andrew Lester, Isabella Sousa e Neymara Carvalho, no quadro internacional, o responsável máximo pela organização nos Açores é peremprório: “está dentro das espectativas”. “Nos Açores temos atletas com muito potencial e talento; temos alguns atletas com rodagem competitiva que correm o circuito nacional, como Rodrigo Rijo e Pedrim Correia, e penso que para eles ficou dentro das espectativas. Passaram um ou dois heats. E o Sérgio Rego chegou aos quartos de final no Nacional. Para eles é uma excelente experiência”, precisa dirigindo ainda uma palavra de apreço à única presença feminina em todo o evento. “A Laura é um exemplo para as outras meninas. Ela costuma surfar aqui regularmente e essa onda não é propriamente para principiantes. Espero que ela continue e se empenhe cada vez mais”, diz.Outra iniciativa “garantida”
Considerando a estratégia da USBA de promover os desportos de ondas nos Açores, sempre com a mesma consistência nas duas modalidades, surf e bodyboard, o responsável pela organização salienta o período de negociações entre as entidades organizadoras e o Governo Regional nos últimos três anos para a requalificação de Santa Catarina – a valorização da onda, a obra de protecção da orla costeira e a remoção do esgoto. “São questões que andámos a batalhar e a realização do evento na ilha Terceira foi um género de ‘moeda de troca’. Apresentámos às autoridades como sendo um valor, um portencial para a ilha”, recorda Pedro Arruda. Assim, e assumindo o rendimento que a onda, parte do património natural, poderá oferecer, o trabalho teve como perspectiva a possível criação de negócios ligados ao mar e ao turismo implatados “cá dentro” - fabrico de pranchas e lojas de materiais são exemplos. Partindo do principio o interesse da IBA, Federação Portuguesa de Surf, e Associação Portuguesa de Bodyboard, e o apoio financeiro do Governo dos Açores através da Direcção Regional de Turismo, o responsável pela USBA dá a garantia:“nós queremos fazer sempre este campeonato aqui”.Ambulância “desnecessária”
Questionado sobre a ausência de uma ambulância e um posto de primeiros -socorros no Azores Islands Bodyboarding Festival 2011, independetemente do grau de dificuldade do spot, Pedro Arruda, responsável pela USBA, responde prontamente que o Quartel de Bombeiros [da Praia da Vitória] “está perto” o suficiente para eventuais situações de socorro.
“Ponderámos a situação e estivemos a estudar alternativas. Chegámos à conclusão que estando os Bombeiros de prevenção e tão perto, não fazia muito sentido ter aqui a presença da ambulância a tempo inteiro no decorrer da prova”, explica rejeitando o factor económico como decisor principal. “Estamos a falar de atletas profissionais. Por ironia do destino os únicos atletas que se magoaram são açorianos. O Sérgio e o Samuel magoaram-se e são os que melhor conhecem o local”, sublinha.Ponto de situação
Tendo em conta a falta de ondas, Pedro Arruda avança que as decisões estão a ser tomadas no seio da organização. Certo é que, apesar das previsões meteorológicas serem pouco animadoras para a prática do bodyboard, amanhã, domingo, a prova terá de terminar. Não havendo a possibilidade de conclusão, diz, os atletas ficarão nos rounds em que se encontram havendo distribuição de pontos e prizemoney. “É a pior decisão para quem estar a gerir um campeonato. Queremos é pô-los na água e ter um campeao. Mas isto é uma condicionante que nós e os atletas estamos habituamos; estamos cingidos ao que o mar nos dá”, remata o responsável pela USBA.Onda em cantaria
Entretanto, os troféus do Azores Islands Bodyboarding Festival 2011 têm a forma de uma cauda de baleia e uma onda talhadas em pedra de cantaria regional do Ramo Grande. Enquanto a primeira simboliza o arquipélago dos Açores, a outra caracteriza a onda de Santa Catarina, local onde está a decorrer o evento. Trata-se de um trabalho “made in Azores” da autoria de Joaquim Fernandes, escultor a tempo inteiro, que possui oficina na freguesia de Vila Nova, concelho da Praia da Vitória. Segundo conta à “a União”, o seu ofício soma mais de duas décadas de prática mas, apesar da variedade de trabalhos talhados ao longo desse tempo, é a primeira vez que esculpiu algo do género.“É um trabalho completamente diferente do que tenho vindo a fazer até então”, revela o artesão natural de Guimarães, com formação profissional na mesma cidade, radicado na ilha Terceira há cerca de 10 anos, explicando que, na prática, dispendeu dez horas para a execução de cada um dos troféus.
Ao todos são quatro peças para o campeonato nacional e cinco para o mundial encomendados numa época considerada difícil em termos económicos. Diz sentir “quebra nas encomendas” a maior parte peças de decoração e ornamentais para lares como lareiras, candeeiros, mesas e chafarizes. Fazem ainda parte da sua lista de obras, arcos, altares religiosos e outros objectos de arte sacra solicitados por privados e entidades governamentais.
Fonte: A União,
http://www.auniao.com/noticias/ver.php?id=26140